quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Cães em restaurantes? A essência da questão


O ser humano é o ser vivo que mais se imita a si mesmo, segue modas e pensa que vive feliz assim. Agora está na moda humanizar os cães, uma total falta de respeito para com a essência do ser vivo em questão.

Gosto de cães, toda a vida os tive, quem me conhece, sabe tão bem o amor incondicional que lhes tenho e é exactamente por ter esse amor, que os respeito acima de tudo. Esta lei não é para conforto dos cães, e para o exibicionismo dos seus donos, donos esses que não percebem nada de psicologia canina. Um cão prefere correr para um campo, por trilhos e floresta a perder de vista do que ir um restaurante, aqueles sítios criados para HUMANOS!

Vivemos constantemente preocupados com o supérfluo, é mais importante decidir se os nossos cães entram num restaurante do que combater o crescente abandono, do que incentivar as esterilizações ou ajudar as associações de animais que tanto fazem, é mais importante decidir se o cão vai comer borrego ou coelho do que socializa-lo, do que passar um dia como a sua natureza o dita, do que desfrutar da sua companhia, do que deixá-lo ser cão.

Em vez de levarem o cão a jantar fora, levem-no a correr à beira mar, com o vento a bater-lhe no focinho, façam muitas caminhadas, trilhos no meio da natureza onde podem correr sem limites, durmam com eles ao pé da lareira, rebolem com eles pela erva fresca da manhã, vejam o nascer e o por do sol, atirem lhe uma bola vezes sem conta, deixem-no brincar com os da sua espécie, falem com eles, sejam presentes, coisas simples, mas com tanto valor para eles, porque estão a deixá-los serem cães

Vimes, o pulsar de quem somos



Ontem, por via do desfile de Carnaval na Camacha, dei comigo a passear pela fábrica de vimes do Café Relógio e a aperceber-me do quanto o grau civilizacional de uma região, passa, indiscutivelmente, pela forma como tratamos a História e a nossa identidade.

O artesanato dos vimes passa por uma apatia e declínio, fomentada pelo alheamento das camadas mais jovens e pelos sucessivos governos regionais que empurram a cultura, as artes e o artesanato para o fundo  de um orçamento com as prioridades muitos trocadas. Dispensam orçamento apenas quando isso é garantia de sucesso, sucesso económico, que como sempre, tem algum interesse político e no caminho, perde-se o rosto de quem somos, do mais antigo e sublime que nos define e o  respeito pela identidade de um passado, que urge preservar.

Há intenções de apoios, mas sempre haverá uma linha entre a intenção e a concretização de projetos, as coisas não se alimentam de palavras mas de ações, a falta o apoio à produção, a falta o apoio à promoção, a falta o apoio à formação, em suma, a falta um trabalho sério e responsável está a matar uma coisa única na nossa ilha.

Quem sabe, depois do trabalho de casa bem feito, não seremos capazes de chegar mais longe e a maiores formas de valorização do que, de mais nosso, se pode fazer.

Andreia Gouveia

sexta-feira, 3 de junho de 2016

A demissão de quadros clínicos do SESARAM diz muito sobre a gestão do Governo Regional PSD, não basta assumir as culpas, tem que haver soluções rápidas e eficazes. Aquilo que se verifica atualmente na Saúde é uma autêntica vergonha.
  
Há quem ainda alimente a esperança de "tapar o sol com a peneira", mas felizmente, contra os fatos não há argumentos e aquilo que tem vindo a público, quer por parte de forças políticas, quer por parte dos próprios trabalhadores do setor bem como da população em geral, não deixam margem para dúvidas, a saúde está a entrar num profundo retrocesso e com implicações para as pessoas.

Falta de tudo nos serviços, profissionais, equipamentos, higiene, condições nas infraestruturas medicação e este Secretário está completamente ao lado da situação ou no pior dos casos, FINGE estar ao lado da questão, ele sabe, sabe ele e sabe toda à gente.

Quando se perde o respeito e a noção de seriedade acho que lugares e cargos devem ser repensados, temo que cheguemos a uma situação de rutura onde os únicos prejudicados serão os utentes.

Sempre ouvi dizer que com a saúde não se brinca, mas neste momento há quem vá mais longe e faça dela uma arma de arremesso, um torneio de ténis, um conflito de interesses e essa gente deve pensar bem se reúne as condições de continuar a exercer funções. É inqualificável aquilo que estão a fazer ao setor da Saúde e ainda mais inqualificável a postura de quem nos representa face aos problemas, a inercia e a ineficácia de quem nem deveria dormir enquanto todas estas situações não fossem regularizadas.

As pessoas descontam uma vida inteira para usufruir desta vergonha a quem chamam de saúde, tenham vergonha!


Andreia Gouveia 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Telhados de vidro

Para alguns partidos da oposição, que incluí o PSD (no caso de Santa Cruz), o trabalho é criticar quem está no poder, tem a sua lógica, mas essa postura torna-se questionável quando quem critica não tem qualquer tipo de moralidade para falar.

Façamos um retrocesso a 2012/2013, quando o PSD ainda era executivo em Santa Cruz, um Plano de Ajustamento Financeiro (PAEL) foi cozinhado nas costas dos santacruzenses. No dia da votação da proposta, na Assembleia Municipal, o salão nobre da autarquia encheu-se de populares a protestar contra a assinatura desse PAEL que levaria os impostos municipais para níveis máximos. No entanto, nem essa onda popular, a voz suprema do povo, fez essa gente recuar.

O PSD acabou por aprovar, sozinho, o empréstimo financeiro, nessa altura, nenhum dos vereadores, nenhum dos deputados municipais, nem o próprio presidente ou qualquer membro do PSD estavam preocupados com o impacto das suas decisões na vida das pessoas.

Dois anos e meio depois o PSD lembrou-se que afinal têm uma veia social, tardia essa descoberta, mas só a descobriram porque sempre será mais fácil criticar, do que fazer melhor. Estão suas excelências revoltadas com a implementação da ecotaxa em Santa Cruz, uma taxa criada para os turistas que nos visitam e que contribuirá para a manutenção do município nas áreas do ambiente.

Agora pergunto, onde estava a preocupação social quando queriam disparar as taxas municipais para níveis máximos? Onde estava toda essa solidariedade para com o povo, quando deixaram a Câmara Municipal com 50 milhões de dívida, muita dela ilegal? Onde estava a vossa camaradagem quando fizeram negociatas para os amigos em detrimento dos interesses da população?

Criticar é bom, mas quando não se tem telhados de vidro, não se atira pedras, nem pedrinhas.

Andreia Gouveia 

domingo, 11 de outubro de 2015

Quem ganhou? Abstenção!

“Dos 9.682.369 portugueses inscritos para votar, 43,07% não foi às urnas”
                                                   Observador 05-10-2015

Faz hoje uma semana que o povo português votou para eleger o Governo dos próximos quatro anos. Entre vencedores e vencidos, é ainda mais evidente que houve alguém que, infelizmente, saiu mais vitorioso que qualquer partido político a votação. Esse ganhador sem rosto, sem nome e sem ideologia chama-se abstenção, não é de direita, nem de esquerda, nem tão pouco de centro. Esta é da linha dos descontentes, daqueles que acham que votar uma perda de tempo, daquelas a quem o pior da política arrancou a esperança e a vontade de exercer o direito de voto.

O que fazer quando é a abstenção a dona e senhora das vitórias? Como fazer com que as pessoas entendam que votar é a garantia que poderão escolher quem os governa e que o seu voto pode mudar o rumo do sistema político? A abstenção é o pior inimigo da democracia, com ela, os tiranos ganham o poder e alimentam-se da descredibilização sentida pelos que acham que o seu voto não muda nada, para destruírem economias e estados sociais.

Ganhou a abstenção em Portugal, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos e é um mau sinal, sinal que os partidos não estão a dar garantias, não estão a atrair pessoas e principalmente é sinal que têm falhado nas suas promessas, nas suas linhas programáticas e nas suas ideias.

Conforta-me saber que estes novos partidos, criados de fresco, poderão ser a lufada de ar que a política precisa, a injeção vital que fará os abstencionistas perceberem que o seu voto é decisivo, que precisam tomar o seu lugar no curso inevitável da história, que precisam lembrar-se que muitos se sacrificarem para que hoje esse voto, que muitos desprezam, fosse um direito de todos.
Platão não diria melhor quando se pronuncia nesta frase: “o preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”.

O povo é quem mais ordena, ele decide e o dia que “ele acordar, muitos políticos deixaram de dormir”.

Andreia Gouveia


Noite Eleitoral JPP

Não foi a nossa melhor noite eleitoral, mas nunca a poderemos encarar como uma derrota. Em menos de quatro anos fomos capazes de construir uma credibilidade, levá-la primeiro a uma freguesia e depois a um concelho, conquistamos a Assembleia Legislativa da Madeira e para Portugal, conseguimos expandir-nos e levar o JPP e o seu projeto cada vez mais longe no mapa geográfico de um país, cada vez mais descredibilizado em termos políticos e num embate com uma enorme crise de valores.
Foram semanas de campanha intensa e de muito trabalho, mas sempre com a determinação e proximidade que nos são características, trabalhamos não para a política, para os interesses pessoais e partidários, mas para uma sociedade mais justa e equitativa, trabalhamos porque acreditamos num projeto e nas pessoas que o lideram.
Não aparecemos apenas em cenários de eleições, mantemos durante o nosso dia-a-dia uma proximidade com as pessoas indo ao encontro dos seus anseios, problemas e dúvidas.
O caminho faz-se caminhando, a todos os que contribuíram com o seu tempo e trabalho, que desceram becos, ruas e ruelas, que falaram, sorriram e ajudaram, que caminharam levando este projeto mais longe desde a primeira hora, o meu muito obrigado, estamos juntos, cada um que se empenhou neste projeto tornou-o mais grandioso, pois sempre defendemos uma política com coração e sem interesses.
Não somos apenas e só um partido, somos uma grande família, unidos pelos laços da amizade e pelo sentido de responsabilidade em prol do bem comum. Outras vitórias virão, outras conquistas e outros compromissos, certamente também outras ocasiões em que os resultados serão menos bons, o certo, é que estamos sempre juntos, porque juntos, seremos mais povo!
Andreia Gouveia

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Cortesia a 85 euros


O povo madeirense está feliz, quase posso apostar que de tão contentes que estão, daqui a algum tempo, esquecerão que somos os portugueses que pagam mais impostos.

Veio o primeiro-ministro à Região dizer que as viagens entre a Madeira e Lisboa ficarão mais baratas, vamos então felicitá-lo por, finalmente, ter cumprido a sua obrigação e colocar a funcionar um direito que é nosso e que peca por ser tardio, devo lembrar que os Açores já têm este modelo há muitos anos. Não foi então um presente, nem um prémio, muito menos cortesia, foi pura e simplesmente a obrigação de quem foi eleito para governar para as pessoas, promover a continuidade territorial.
Não se deixem enganar por meia dúzia de migalhas que mais não são do que uma tentativa descarada de comprar votos, comprar a simpatia e a gratidão dos madeirenses, fazê-los esquecer todas as atrocidades e atentados sociais com que estes senhores nos têm brindado.

Fico satisfeita com a promessa de uma mudança firme e decidida, mas não sou utópica.

Andreia Gouveia