terça-feira, 20 de março de 2018

Eu sou da Junta de Freguesia

Ouvi muitas vezes, da boca de uma pessoa por quem nutro um enorme carinho e respeito, que a melhor escola política é uma Junta de Freguesia. E não poderia estar mais de acordo.
Uma Junta é sempre, por mais que queiram negar, o primeiro rosto de apoio à população, o mais próximo que algumas pessoas têm de família, o mais quente calor humano, por vezes o único apoio e ajuda que encontram, vejo um
entra e sai de pessoas que passam para um cumprimento, um aperto de mão ou um agradecimento.
Eu sou da Junta de Freguesia e não me revejo em outro lugar, gosto de pessoas, do que elas me ensinam, dos sorrisos, do calor e até das críticas, é com elas que crescemos e ficamos mais sábios. Somos “adotados” pelas pessoas de uma forma que preenche e que faz sentir que cumprimos bem a nossa missão.
Todos e quaisquer políticos, como diz o nosso presidente Filipe Sousa, deviam passar por uma Junta de Freguesia, só assim, valorizariam realmente o que vos escrevo, mas valorizariam muito mais o trabalho que fazemos, com um Orçamento no limite, mas com determinação, acima de tudo com gosto, com respeito pela causa pública e pelas pessoas.
Nos últimos anos, vi a minha Junta de Freguesia perder mais de 20 mil euros do Estado, vi ficar esquecida, assim como outras, nos sucessivos orçamentos regionais e nacionais, como se fossemos os parentes pobres do poder, mas vi o meu presidente rir e chorar com as populações, vi a gratidão nos olhos dos nossos, quando resolvemos os problemas, anseios e questões, e não há nada mais gratificante para um autarca que isso. Vejo muitas vezes a forma como o poder acima de nós se move, nos silencia, quase nos esmagando nos interesses, que acham eles, serem supremos, mas não são eles que apoiam as pessoas numa proximidade real, não são eles que batem uma freguesia de lés e a lés, não são eles que vão para o terreno, que se entregam à realidade, não a de gabinete com cheiro a teoria, mas a realidade de que vivem os nossos.
Mas, com gosto, sou da Junta de Freguesia.
ANDREIA GOUVEIA

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018



Os meios que não justificam os números

Continua a saga no setor da Saúde, hoje em manchete no Diário de Notícias, somos brindados com as 16.500 pessoas que aguardam por uma cirurgia.

As desculpas começam a ser repetitivas e algo enjoativas também, já passamos pela falta de pessoal, pela falta de equipamentos e por fim de medicamentos. Vimos fotos e assistimos, pessoalmente, ás condições deploráveis das infraestruturas hospitalares, na nossa Região, para não falar, dos corredores apenhados de gente, que, com todo o respeito por essas pessoas, parecem campos de refugiados ou até mesmo, a deficiente rede de transportes de doentes, para não referir outros assuntos, de maior e menor gravidade.

Depois chegou a fase de sacudir a água do capote, culparam a Oposição de alarmismo, de calunia e de inventarem as situações, depois apontaram o dedo ao Governo Central, pela não construção do novo hospital e passam metade do tempo, a negar, vezes sem conta, o que é tão obvio ao cidadão, dizem bem, e é verdade, o macaco nunca vê o rabo que tem.

Quanto a soluções, elas tardam a chegar, as que são colocadas pelas bancadas da Oposição são hipocraticamente chumbadas, porque este é o Governo que diz que chumba, porque já está, supostamente, a trabalhar no assunto. Assim vai a nossa política que, infelizmente, tem o poder de interferir com direitos das populações, que nunca deveriam ser sequer questionados ou postos nestas condições, são direitos consagrados numa Constituição onde nenhum político deve ter a ousadia de interferir.

A Saúde também está doente, muito doente, vítima de ganancias e partidarites, vítima dos lóbis económicos, quase refém do privado e se isto é defender os interesses das pessoas, se isto é defender a democracia, se isto é elevar o nome da Região, então estamos condenados.


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018


Cães em restaurantes? A essência da questão

O ser humano é o ser vivo que mais se imita a si mesmo, segue as modas e vive feliz assim. Agora está na moda humanizar os cães, uma total falta de respeito para com a essência do ser vivo em questão.

Gosto de cães, toda a vida os tive, quem me conhece, sabe tão bem o amor incondicional que lhes tenho, e por ter esse amor, respeito-os acima de tudo. Esta lei não é para conforto dos cães, e para o exibicionismo dos seus donos, donos esses que não percebem nada de psicologia canina, um cão prefere, milhões vezes, ir correr para um campo, do que se enfiar num restaurante todo catita, onde tem que imperar as boas maneiras, boas maneiras, lá está, HUMANAS.

Vivemos constantemente preocupados com o supérfluo, é mais importante decidir se os nossos cães entram num restaurante do que combater o crescente abandono, do que incentivar as esterilizações ou ajudar as associações de animais que tanto fazem, é mais importante decidir se o cão vai comer borrego ou coelho do que socializa lo, do que passar um dia como a sua natureza o dita, do que desfrutar da sua companhia, do que deixá-lo ser cão

Em vez de levarem o cão a jantar fora, levem no a correr à beira mar, com o vento a bater lhe no focinho, façam muitas caminhadas com ele, trilhos no meio da natureza onde podem correr sem limites, durmam com eles ao pé da lareira, rebolem com eles pela erva fresca da manhã, vejam o nascer e o por do sol, atirem lhe uma bola vezes sem conta, deixem-no brincar com os da sua espécie, falem com eles, sejam presentes, coisas simples, mas com tanto valor para eles, porque estão a deixá-los serem cães
Vimes, o pulsar de quem somos

Ontem, por vias do desfile de Carnaval na Camacha, dei comigo a passear pela fábrica de vimes do Café Relógio e a aperceber-me do quanto o grau civilizacional de uma região, passa, indiscutivelmente, pela forma como tratamos a História e a nossa identidade.


O artesanato dos vimes passa, hoje, por uma apatia e declínio, fomentada pelo alheamento das camadas mais jovens e os sucessivos governos regionais que empurram a cultura, as artes e o artesanato para o limiar, o fundo, de um orçamento com as prioridades muitos trocadas, apenas incentivam, quando isso é garantia de sucesso, sucesso econômico é claro, no caminho, perde-se o rosto de quem somos, do mais antigo e sublime que nos define , o respeito pela identidade de um passado, que urge preservar.

Há intenções de apoios, mas sempre haverá uma linha entre a intenção e a concretização, as coisas não se alimentam de palavras mas de ações, falta o apoio à produção, falta o apoio à promoção, falta o apoio à formação, em suma, falta um trabalho sério e responsável, dedicado.
Quem sabe, depois do trabalho de casa feito, não seremos capazes de chegar mais longe e a maiores formas de valorização do que, de mais nosso, se pode fazer.

Andreia Gouveia

sexta-feira, 3 de junho de 2016

   Para mim a demissão de quadros clínicos do SESARAM diz muito sobre a gestão do Governo Regional, não basta assumir as culpas, tem que haver soluções rápidas e eficazes. Aquilo que se verifica atualmente na Saúde é uma autêntica vergonha e uma afronta aos utentes, já para não falar de todas as outras implicações gravíssimas que esta situação acarreta.
  
Há por aí meia dúzia de iluminados que tentam desesperadamente tapar o sol com a peneira, felizmente, contra factos não há argumentos e aquilo que tem vindo a público, quer por parte de forças política, quer por parte dos próprios trabalhadores do setor bem como da população em geral, não deixam margem para dúvidas, a saúde está a entrar num profundo retrocesso com implicações para as pessoas de uma categoria que nem quero pensar.

Falta de tudo nos serviços, profissionais, equipamentos, higiene, condições nas infraestruturas medicação (isto para mim então é mesmo de bradar aos céus) e outras tantas coisas que me fazem pensar que só nos podem estar a tomar como palhaços, sim, porque só num país de terceiro mundo, ainda que injustificável, se consentem faltas e falhas destas.

  Este Secretário está completamente a leste da situação ou no pior dos casos, FINGE estar a leste, ele sabe, sabe ele e sabe toda á gente.

Quando se perde o respeito e a noção de seriedade acho que posturas, lugares e cargos devem ser repensados, temo que cheguemos a uma situação de rutura onde os únicos prejudicados serão os utentes, vai-nos valendo um ou outro partido que vai pressionando, exigindo, e bem, respostas de quem tem medo de dizer a verdade, quem assobia para o lado, quem ainda não cumpriu aquilo que prometeu numas eleições que já vão longínquas.

Sempre ouvi dizer que com a Saúde não se brinca, mas neste momento há quem vá mais longe e faça dela uma arma de arremesso, um torneio de ténis, um conflito de interesses e essa gente deve pensar bem se reúne as condições de manter-se onde está, é inqualificável aquilo que estão a fazer ao setor da Saúde e ainda mais inqualificável a postura de quem nos representa face aos problemas, a inercia e a ineficácia de quem nem deveria dormir enquanto todas estas situações não fossem regularizadas.

As pessoas fartam-se de descontar para usufruir desta vergonha a quem chamam Saúde, tenham vergonha!


Andreia Gouveia 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Telhados de vidro

  Para alguns partidos da oposição, que incluí o PSD (no caso de Santa Cruz), o trabalho é criticar quem está no poder, tem a sua lógica, mas essa situação torna-se questionável quando quem critica não tem qualquer tipo de moralidade para falar.

  Façamos um retrocesso a 2012/2013 quando o PSD ainda era Governo em Santa Cruz, um Plano de Ajustamento Financeiro foi cozinhado nas costas dos santa-cruzenses e na hora de rebentar a bomba, o salão nobre da autarquia encheu-se de populares a protestar contra essa traição do PSD que iria disparar todos os impostos municipais para níveis máximos. No entanto, nem essa onda popular, a voz suprema do povo, fez essa gente ponderar e o PSD acabou por aprovar sozinho o empréstimo financeiro, nessa altura, nenhum dos vereadores, deputados municipais, o próprio presidente ou qualquer membro do PSD estavam preocupados com o impacto das suas decisões na vida das pessoas.

Dois anos e meio depois, lembraram-se que afinal têm uma veia social, tardia essa descoberta, mas só a descobriram porque sempre será mais fácil criticar, do que fazer melhor. Estão suas excelências revoltadas com a ecotaxa em Santa Cruz, uma taxa SÓ para os TURISTAS que nos visitam e que não ultrapassa os cinco euros.

Agora pergunto, mas onde estava essa preocupação quando queriam disparar o IMI, a derrama nas empresas, as contas da água, saneamentos e afins para níveis máximos? Onde estava toda essa solidariedade para com o povo, quando deixaram a Câmara com 50 milhões de dívida muita dela ilegal? Onde estava a vossa camaradagem quando fizeram negociatas para os amigos em detrimento dos interesses da população?

Criticar é bom, mas quando não se tem telhados de vidro


Andreia Gouveia 

domingo, 11 de outubro de 2015

Quem ganhou? Abstenção!

“Dos 9.682.369 portugueses inscritos para votar, 43,07% não foi às urnas”
                                                   Observador 05-10-2015

  Faz hoje uma semana que o povo português votou para eleger o Governo dos próximos quatro anos e apesar de ser possível avaliar os vencedores e os vencidos, é ainda mais evidente que houve alguém que, infelizmente, saiu mais vitorioso que qualquer partido político a votação. Esse ganhador sem rosto, sem nome e sem ideologia chama-se abstenção, não é de direita, nem de esquerda, nem tão pouco de centro, estes são da linha dos descontentes, aqueles que acham que votar é só mais uma perda de tempo e que nada vai mudar com o seu voto e com a sua atitude/participação.
  
O que fazer, quando é a abstenção a dona e senhora das vitórias? Como fazer com que as pessoas entendam que votar é a garantia que poderão escolher quem os governa e que o seu voto pode mudar o rumo do sistema político? A abstenção é o pior inimigo da democracia, com ela, os tiranos ganham o poder e alimentam-se da descredibilização sentida pelos que acham que o seu voto não muda nada, para destruíram economias e estados sociais.

Ganhou a abstenção em Portugal, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos, mau sinal, sinal que os partidos não estão a dar garantias, não estão a atrair pessoas e principalmente é sinal que têm falhado nas suas promessas, nas suas linhas programáticas e nas suas ideias.

Conforta-me saber que estes novos partidos, criados de fresco, poderão ser a lufada de ar que a política precisa, a injeção vital que fará os abstencionistas perceberem que o seu voto é decisivo, que precisam tomar o seu lugar no curso inevitável da história, que precisam lembrar-se que muitos se sacrificarem para que hoje esse voto, que muitos desprezam, fosse um direito de todos.
Platão não diria melhor quando se pronuncia nesta frase: “o preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior” e em Portugal isso é tão evidente que impinge urgentes mudanças.

Nas próximas eleições vão votar, vão mudar, vão ajudar a mudar, façam mudar, exigem que se mude, mostrem quem manda. O povo é quem mais ordena, ele decide e o dia que “ele acordar, muitos políticos deixaram de dormir”.

Andreia Gouveia